
Vai entender as coisas da vida, hoje era um dia comum... Faculdade, trabalho, vai pra cá, pegar isso ali, tenho que ver a vó, retirar um cheque, levar o carro pra ver inspeção... E a coisa que mais resolvi fazer hoje foi RECLAMAR.
Tive que ir ao centro de São Paulo e para variar um pouco na rotina da cidade peguei um putaaa transito e um ônibus mais que lotado, sem falar no metrô. Eram 2h da tarde, aquele sol em minha cabeça fritando só me fazia pensar em carro, ar condicionado e o que fazia estar ali, naquela rua de 16m de largura que nem carro passava e mesmo assim não havia espaço para as pessoas... Peguei uma fila na prefeitura de dar inveja de tão grande que era e eu só sabia reclamar e mais reclamar e então ás 5h tive que tomar o caminho da roça novamente. O metrô não está tão cheio tinha apenas os lugares de idosos e deficientes para me sentar e não pensei duas vezes... Sentei-me como se tivesse todo o direito do mundo ou porque sabia que alguém lá de cima estava vendo tudo que havia feito e passado durante o dia e que no mínimo digno de voltar sentado eu era. A duas estações depois um mulher com deficiência visual entrou, eu me levantei e me posicionei ao lado dela só que de pé e então ela disse sorrindo: “Quem que se levantou pra eu me sentar?” o idoso ao seu lado disse “foi o menino na sua frente” ela então virou pra mim e disse “Mais agora você vai ficar de pé, isso não é muito justo” Rapidamente e sem dar muita bola e um pouco irritado de ter que me levantar respondi “Não se preocupe já vou descer...” e então começamos a conversar ela perguntou o que eu fazia e não sei por que motivo comecei a me abrir com ela e seu sorriso não saia do rosto. Contei que fazia arquitetura, que estava na prefeitura por conta de um projeto e tudo mais. E ela com sua deficiência que se tornava tão invisível a tamanha simpatia e bom humor me disse ”Eu sento que tenho que ajudar os outros, então trabalho em creches/orfanatos.” E na mesmo hora eu me deparei com com alguém que precisa de ajuda e mesmo assim tinha a vontade de ajudar... Ao sair do metrô, eu com meus pensamentos fomos caminhando e me perguntando que direito tinha de reclamar da vida, de reclamar que tive pernas para ir até o ponto e dinheiro para pagar a passagem... Que posso ir a faculdade e que tenho um emprego. Que melhor tenho idade e disposição para fazer e aproveita ao máximo tudo e pouco faço. Me perguntei quando havia agradecido por ter olhos e conseguir ver o sol e em meio a tanta correria não olhei para ele hoje. Acho que faço muito, tem gente que faz por elas e por mais alguém. Tem gente que faz todo dia e o primeiro me cansou... E chegando em casa me perguntei quando todos nós vamos enxergar pelos olhos de quem não consegue ver ?!
Mandou Muito amor.Os nossos problemas são ínfimos..e além disso todos nos fazem crescer muito.
ResponderExcluirPaulinha - Facul ... Nossa Rafa, muuuuuito bom!
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